"O Círio não será da elite, se o povo quer o povo vai": ações dos promesseiros no Círio de Nazaré em tempos de pandemia
<p>O Círio de Nossa Senhora de Nazaré é uma das maiores manifestações culturais e religiosas<br> do povo paraense, existindo desde 1793 até os dias atuais, no segundo domingo de outubro. A<br> celebração se faz em diferentes procissões, porém com a chegada da pandemia do novo<br> Coronavírus (Covid-19) na Amazônia, uma série de mudanças começaram a ser realizadas<br> sobre a organização do evento. Entre o suspense e o silêncio da Diocese de Belém sobre como<br> seria a procissão em tempos de pandemia, os promesseiros começaram a se articular e criar<br> estratégias para cumprir a tradição do Círio. Desse modo, o presente estudo visa investigar os<br> processos de agência e expressões de fé durante o Círio 2020, realizado na cidade de Belém<br> do Pará em tempos de pandemia. Trata-se de um estudo amparado no conceito de polifonia ou<br> na multiplicidade de vozes, em que os sujeitos são agentes do próprio discurso independente<br> da atual pandemia e a ordem os rege. Assim, analisa-se os processos de (re)significação<br> conceituais inseridas nas expressões de fé em tempos de pandemia, realizando os seguintes<br> debates: (i) o contexto organizacional do Círio 2020; (ii) breve panorama dos conflitos e<br> tensões da diversificada população Amazônica; (ii) dinâmicas socioculturais; (iii) experiências<br> de devoção na pandemia; (iv) manifestações alternativas em torno do Círio remoto. Como<br> procedimentos teórico-metodológicos, utilizamos a etnografia digital, de modo a observar os<br> fiéis no ambiente online, em fóruns de bate papo e redes sociais dos principais jornais do<br> Pará.</p>
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